Olá! Meu nome é Mateus Bezerra, aluno da Universidade Federal de Alagoas e bolsista do PIBID Letras - Português. Neste espaço, colocarei minhas reflexões acerca das atividades realizadas no projeto e pensamentos que surgirão em relação à educação, à linguística e à literatura.
segunda-feira, 22 de março de 2021
8ª Reunião - 17/03/2021
quarta-feira, 10 de março de 2021
7ª Reunião - 10/03/2021
Atividade com base em dois artigos dos coordenadores
Na última reunião (24 de fevereiro), os coordenadores pediram aos bolsistas para lerem dois artigos escritos por cada um deles (com a colaboração de ex-pibidianos). A partir dessa leitura, teríamos que responder a uma atividade que trata sobre alguns conceitos movidos em uma pesquisa de campo (especificamente na abordagem etnográfica). Aqui está os artigos, numerados como 1 e 2, e a atividade respondida:
Artigo 1: PEREIRA, A. O
ingresso na prática docente dos letramentos sociais: caminhos para (re)
encontros com o mundo da leitura. Revista Linguagem em Foco, v. 1, n. 3,
2020, p. 260-279.
Artigo 2: SILVA, Daniela
Ferreira da; SIQUEIRA, Thalyta Vasconcelos de; GOMES, Luiz Fernando. Pedagogia
Transmídia: reflexões sobre uma proposta de leitura literária dentro da cultura
de convergência. FERREIRA, Maria Helena; DIAS, Jaciluz; SOUZA, Teciene Cássia
de (org.). O trabalho com textos multissemióticos em sala de aula:
perspectivas metodológicas. Catu: Bordô-Grená, 2021.
1)
Após leitura individual do artigo 1,
identifique no artigo:
a) Momentos,
marcas, sinais de que há uma preocupação dos
participantes da pesquisa – professor-pesquisador; bolsista/colaborador em
formação – em construir um “lugar de fala”, que aponta para posturas e
imposturas.
R: A atividade trabalhada
no projeto do PIBID no artigo trata de propiciar um reencontro dos alunos com a
leitura literária. Percebendo a falta de
hábito dos bolsistas em relação a esse tipo de leitura, os
coordenadores-pesquisadores realizaram uma “atividade interventista” (PEREIRA,
2020) na qual propuseram que os bolsistas “compartilhassem sua trajetória com a
leitura literária” (PEREIRA, 2020) a fim de que fosse realizado, primeiro, um
reencontro dos bolsistas com a literatura, assim, dando-lhes propriedade para
realizar a atividade com os alunos, ou seja, construindo “um lugar de fala”.
b) Onde
pode ser vista ou entrevista a noção de WINKIN (1998) do “saber estar com!”,
que aponta para a postura de não neutralidade do pesquisador no campo.
R: Os bolsistas puseram
em prática a noção de “saber estar com!” (WINKIN, 1998) quando, por exemplo,
optaram pela introdução à obra “O Cão dos Berkervilles” por meio de sua
adaptação em filme, visto que é um meio mais próximo aos alunos. Além disso, quando
perceberam a vontade dos alunos em produzir um cordel sobre o livro como a
atividade transmídia, trazendo outros exemplos de cordéis para inspirá-los.
2)
Após leitura individual do artigo 2,
identifique:
a) Em
que medida o trabalho pedagógico proposto pode ser relacionado à noção de WINKIN
(1998) do “saber ver!”, ou seja, saber rever e repensar suas crenças, valores,
conhecimentos cristalizados em função de uma determinada experiência com o
“outro”.
R: No artigo, encontramos
a noção do “saber ver!” nas práticas dos bolsistas/colaboradores principalmente
em relação à escolha da obra literária. Eles não trazem uma ideia cristalizada
em relação a isso, como apontam no texto: “a leitura de clássicos universais
não escolhidos pelos alunos do 9º ano fugia completamente da nossa perspectiva”
(GOMES, 2021). Mesmo tendo que ignorar à ideia institucional – da escola –
sobre qual tipo de obra deveria ser abordado, eles preferiram a experiência de
escolha da obra com a participação dos alunos, assim, provocando um interesse
muito maior por parte deles.
quarta-feira, 3 de março de 2021
Comentários sobre as resenhas em vídeo dos meus colegas de PIBID
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021
6ª Reunião - 24/02/2021
Após
o recesso já informado nas outras postagens, voltamos ontem, dia 24 de
fevereiro, à programação normal (pelo menos no contexto de pandemia) do PIBID:
reuniões às quartas-feiras. Nesse encontro de retorno, o foco principal foi a
apresentação, concisa devido ao tempo, da atividade “o encontro com o outro”.
No
entanto, antes de relatar como se deu as apresentações, gostaria de escrever
sobre uma fala da Professora Socorro (uma das professoras-supervisoras do
PIBID) que ocorreu um pouco antes do início oficial da reunião e que achei
muito importantes.
Ela
trouxe a informação de uma cartilha do Ministério da Educação a respeito das
práticas que os alunos devem adotar ao retornarem às aulas presenciais. De
acordo com as palavras da Professora Socorro, com as quais estou de acordo,
essas recomendações são utópicas¹ considerando a realidade da maioria das
escolas públicas não só de Maceió, como de todo o Brasil. Algumas dessas recomendações são: os alunos devem lavar frequentemente as mãos, falar entre
si com uma distância de 1 metro no mínimo. Dando como exemplo a escola que eu
concluí o ensino médio, na qual constantemente havia falta de água, e sabendo
que problemas de infraestrutura como esse são, infelizmente, comuns às escolas
públicas brasileiras, entendemos a falta de senso de realidade dessa cartilha,
que é algo que frequentemente falta em documentos e leis a respeito do ambiente
educacional. Como eu disse na reunião, é mais uma obra dos governantes para
inglês ver.
Retornando às apresentações, elas ocorreram
da seguinte forma: dois integrantes de cada grupo² apresentariam uma ou duas
cenas que, para eles, foram as mais marcantes, seja no sentido pessoal, seja no
sentido de cumprir bem o que a atividade “o encontro com o outro” pedia. Os
representantes do meu grupo foram eu e a minha colega Nathally, ficando
acordado que cada um falaria sobre uma cena escolhida livremente.
Fomos os primeiros a apresentar, começando
por ela, que falou sobre a cena na qual Orlando tenta se comunicar com os
índios, utilizando de mímica para demonstrar qual o significado da palavra
“avião”. A Professora Andrea fez um ótimo comentário, dizendo que essa é a
primeira troca que ocorre no encontro com o outro: a da comunicação, a
linguagem, principalmente quando o outro faz parte de um povo diferente.
Eu
selecionei a cena na qual Cláudio leva a família de caiabis ao posto médico
próximo à aldeia de outro povo indígena (pelo o que eu lembro, não é dito o
nome desse povo). Há uma confusão, porque os indígenas que já se encontravam lá
não querem aceitar os caiabis, mas Cláudio intervém argumentando da seguinte
maneira: “vocês não podem brigar entre si. O inimigo é o branco”, sendo ele
mesmo branco. Para mim, foi uma das principais cenas para entender o que seria
o deslocamento que o pesquisador precisa fazer para obter uma boa investigação
etnográfica, visto que Cláudio, ao dizer que o inimigo é o grupo
étnico-cultural do qual ele vem, demonstra a imersão quase completa que ele
realiza, compreendendo o mundo, o máximo que pode, a partir do olhar do grupo
no qual ele se introduz.
Percebam que, no parágrafo anterior, eu tenho
o cuidado de não afirmar que Cláudio atingiu uma imersão completa no povo indígena, portanto não é
capaz de enxergar o mundo totalmente através de uma ótica indígena.
Provavelmente eu não teria essa consciência em relação a isso caso não tivesse ouvido a
Wanneska e o Silvino analisarem as cenas que escolheram.
Eles selecionaram um momento no filme no qual
há um conflito entre o Cláudio e o líder da família caiabi, que acaba sendo
resolvido após Cláudio apontar uma arma para o indígena. Com essa cena, os dois
demonstraram que, embora haja, sim, um grande deslocamento da posição do eu
para o lugar do outro por parte do Cláudio, esse movimento nunca será total,
pois sempre restará resquícios do eu. No caso da cena, Cláudio assume que sabe
do que o indígena precisa mais do que ele próprio, utilizando até da força para
fazer valer sua opinião. Essa posição é historicamente assumida pelo homem
branco em relação ao indígena e, mesmo com a entrega do Cláudio na sua vivência
com o outro, esse lugar de superioridade ainda está lá para ser utilizado
quando necessário.
Com o fim das apresentações, a Professora Andrea
deu continuidade às explicações teóricas sobre a abordagem etnográfica na
pesquisa educacional. Inicialmente, ela trouxe as diferenças entre a pesquisa
etnográfica tradicional e a pesquisa educacional feita pela linguística
aplicada. Estabelecida essa distinção, a Professora Andrea, utilizando de algumas
cenas do filme “Xingu” para melhor elucidação, aprofundou-se na abordagem
etnográfica, expondo seus princípios e noções.
No final da explanação teórica, ela listou as
abordagens que geralmente andam de mãos dadas com a etnografia. Ao citar a Análise
Dialógica do Discurso, que é uma área de Linguística baseada na filosofia da linguagem
de Mikhail Bakhtin, veio novamente na minha mente, só que com mais força, um
conceito que, desde o início dos estudos com etnografia, vagueia na minha
mente: o excedente de visão. A primeira vez que ouvi sobre esse conceito foi na
1ª Jornada Bakhtiniana da UFAL, em uma fala da professora Ana Clara, e achei
muito interessante. A partir de Bakthin (2006, p. 210, apud Silva e Paula, 2015),
temos o seguinte sobre o excedente de visão:
Quando contemplo no todo um
homem situado fora e diante de mim, nossos horizontes concretos efetivamente
vivenciáveis não coincidem. Porque em qualquer situação ou proximidade que esse
outro que contemplo possa estar em relação a mim, sempre verei e saberei
algo que ele, da sua posição fora e diante de mim, não pode ver: as partes de
seu corpo inacessíveis ao seu próprio olhar – cabeça, o rosto e sua expressão
–, o mundo atrás dele, toda uma série de objetos e relações que, em função
dessa ou daquela relação de reciprocidade entre nós, são acessíveis a mim e
inacessíveis a ele. Quando nos olhamos, dois diferentes mundos se refletem na
pupila de nossos olhos. Assumindo a devida posição, é possível reduzir ao
mínimo essa diferença de horizontes, mas para eliminá-la inteiramente urge
fundir-se em um todo único e tornar-se uma só pessoa.
Esse excedente da minha visão, do meu conhecimento, da minha posse – excedente sempre presente em face de qualquer outro
individuo – é condicionado pela singularidade e pela insubstitutibilidade do
meu lugar no mundo: porque nesse momento e nesse lugar, em que sou o único a
estar situado em dado conjunto de circunstâncias, todos os outros estão fora de
mim. (2006, p.210, grifos do autor)
Relacionando esse
conceito bakhtiniano com a etnografia, percebemos que o pesquisador, ao abordar
etnograficamente o grupo pesquisado (o outro), ou seja, buscando “compreender a
maneira de viver do ponto de vista dos nativos da cultura em estudo” (FINO, 2008), atinge
esse excedente de visão, deslocando-se da sua posição de “eu” para ir ao lugar
do “outro” e sendo capaz de enxergar o mundo a partir de uma ótica situada fora
de si.
Por fim, a questão da
análise do discurso despertou meu interesse desde as primeiras aulas, por causa
do da disciplina “Análise do Discurso”, ministrada pelo professor Helson Flávio
da Silva Sobrinho. Devido ao meu primeiro contato com essa área ter sido a
partir da perspectiva pecheutiana, essa linha me atrai mais no momento. No
entanto, conhecendo, mesmo que superficialmente, por quais áreas a Professora
Andrea pesquisa, é bem provável que Análise Dialógica do Discurso se sobressaia
em relação à baseada nos estudos do Michel Pêcheux. Esperemos para ver! Até a
próxima!
Nota 1: é importante tentar clarear como a palavra “utópica” foi usada
nessa situação, aliás, como eu a signifiquei nesse contexto, visto que não foi
dita por mim. No caso em questão, o termo foi utilizado, como geralmente
acontece, para negativar algo (a cartilha), adjetivando um sentido de
impossibilidade ao extremo ou, no popular, “viajar na maionese”. Entretanto,
“utopismo” não carrega apenas esse significado, e, devido a visão de mundo e o
sentido político que trago comigo, é necessário explicar aqui um outro sentido
seu. Considerando a terminologia dessa palavra, seu sentido está mais para “não
lugar”, ou seja, um lugar que (ainda) não existe, do que para “lugar impossível
de existir”. Dessa forma, quando se fala sobre uma sociedade justa, sem
opressão ou exploração, os céticos, os pessimistas e, principalmente, aqueles
que se beneficiam da configuração socioeconômica na qual vivemos já a
classificam como utópica, referindo-se ao primeiro sentido que eu trouxe, o
negativo. Porém, aqueles que creem na possibilidade de mudança e, sobretudo,
agem para isso compreendem de maneira positiva o utopismo contido nessa
esperança (do verbo esperançar, como diria Paulo Freire), pois sabem muito bem
que esse “não lugar” se tornará “lugar” um dia. Para concluir essa nota de
rodapé enorme, o utopismo presente não só na cartilha, como também em diversos
outros documentos, leis, instituições que formam esse Estado protetor dos
poderosos (como a Justiça, a Constituição e a Democracia), diferencia-se do
utopismo existente na ideia dessa sociedade melhor porque não objetiva passar
de “não lugar” para “lugar, ou seja, não tem pretensões de um dia sair do mundo
das ideias.
Nota 2: Talvez eu já tinha dito, mas nós, pibidianos, fomos divididos em
grupos e cada grupo é supervisionado por uma professora-supervisora do ensino
básico.
Referências:
FINO, C. N. A etnografia enquanto método: um modo de entender as culturas (escolares) locais. In Christine Escallier e Nelson Veríssimo (Org.) Educação e Cultura, 2008, DCE - Universidade da Madeira.
SILVA, Tatiele Novais; Paula, Luciane de. Refrações de Elena: a construção do verbo-voco-visual dos sujeitos. Grupo de Estudos Discursivos, 30 de dez. de 2015. Disponível em: <https://gediscursivos.wordpress.com/2015/12/30/refracoes-de-elena-a-construcao-verbo-voco-visual-dos-sujeitos/>. Acesso em: 26 de fev. de 2021.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2021
O que eu fiz nesse recesso?
Resenha: A Elegância do Ouriço - Muriel Barbery
Banner com os resultados finais do PIBID
Os dia 19/04, 20/04 e 21/04 foram dedicados à confecção do banner com os resultados finais das atividaes que realizamos no PIBID.
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Nesse dia, estava sendo votada a aprovação da PLN 17/2021 e PLN 31/2021. Por conta disso, os pibidianos se organizaram em manifestações virt...
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