segunda-feira, 22 de março de 2021

8ª Reunião - 17/03/2021

    Na reunião do dia 17 de março, os coordenadores trouxeram algumas mudanças para o PIBID em relação a como estava acontecendo. Como dito antes, até essa reunião, nós tínhamos reuniões semanais às quartas-feiras com todos os integrantes do projeto. No entanto, de agora em diante, esses encontros só acontecerão quinzenalmente. 

    Mas por que essa modificação? Com o retorno das aulas nas escolas públicas  após o recesso (virtualmente devido o contexto de pandemia que ainda perdura), teremos um contato maior com a escola, a professora-supervisora, a sala de aula (virtual), os alunos, o contexto escolar. Para isso, cada subgrupo de pibidianos terá entre um e dois encontros semanais com as suas professoras-supervisoras, além de participarem, mais como ouvinte no início (mas não se limitando a apenas a esse papel passivo), das aulas. E foi por precisarmos de tempo na semana para essas tarefas e outras que surgirão que as reuniões gerais só acontecerão a cada duas semanas. 

    Estou muito ansioso e empolgado para essa nova etapa do PIBID! Vamos ver como será! 






quarta-feira, 10 de março de 2021

7ª Reunião - 10/03/2021

    A reunião se iniciou com o Professor Luiz nos apresentando uma visão geral do Blogão PIBID (já apresentando neste blog)  e alertando os bolsistas sobre a importância de manter atualizado os diários reflexivos. 
    
    Após isso, para finalizarmos o nosso processo de entrada na teoria-metodológica que usaremos no programa, foram apresentadas as respostas à atividade com base nos artigos dos coordenadores (vejam a postagem anterior). Para isso, o Professor Fernando realizou um jogo de perguntas: um pibidiano escolheria outro para dirigir a pergunta, ou seja, selecionando aquele que apresentará. Fui interpelado pela Ivanicleide, a respeito de imposturas e posturas apresentadas pelos autores no artigo da Professora Andrea e suas colaboradoras. Respondi de acordo com a resposta do post anterior e, em relação à questão da impostura, a Professora Andreia me corrigiu muito felizmente, pois a noção sobre "impostura" foi o ponto no qual mais senti dificuldade para entender. No meu entendimento, os bolsistas tinham uma "impostura" em relação à leitura literária devido a falta de hábito de lê-los. No entanto, ao responderem honestamente ao questionamento dos coordenadores sobre sua relação com a leitura, eles tiveram uma postura, assumindo essa lacuna (que está presente na vida de muitos dos brasileiros) e buscando preenchê-las para, assim, terem propriedade de realizar um reencontro dos alunos da escola onde ocorreu o projeto, pois eles já haviam se reencontrados com o seu eu-leitor. 

    A noção de "saber estar com!" foi muito bem posta em prática pelos pibidianos do artigo principalmente quanto à escolha da obra literária, ao não se colocarem como neutros sobre a possibilidade dos alunos não participarem da escolha do livro trabalhado. Nesse sentido, souberam estar com o "outro" - alunos -, dando-lhes o poder de escolha em conjunto com os colaboradores. Além disso, para desenvolver o trabalho, perceberam o contexto cultural dos alunos, além de o desejo deles pelo cordel após a apresentação desse tipo de literatura. 

    Essa questão do aluno não ter nem um pouco de direito à escolha das obras a serem trabalhadas em sala de aula se deve ao fato de que esses livros já são previamente escolhidos, geralmente sendo os considerados cânones. Esse tema, trazido muito bem pela Dafhine e pelo Lucas, foi continuado com a fala do Professor Fernando, da qual destaco a seguinte ideia: cânone se relaciona com falta de movimento, de mudança. Os livros a serem lidos são os historicamente escolhidos e não há possibilidade de entrada de outros.

    Foi uma discussão bastante interessante, tanto que se prolongou para um pouco além do horário de término. E foi ótimo! Até a próxima! 
    

Atividade com base em dois artigos dos coordenadores

    Na última reunião (24 de fevereiro), os coordenadores pediram aos bolsistas para lerem dois artigos escritos por cada um deles (com a colaboração de ex-pibidianos). A partir dessa leitura, teríamos que responder a uma atividade que trata sobre alguns conceitos movidos em uma pesquisa de campo (especificamente na abordagem etnográfica). Aqui está os artigos, numerados como 1 e 2, e a atividade respondida:

Artigo 1: PEREIRA, A. O ingresso na prática docente dos letramentos sociais: caminhos para (re) encontros com o mundo da leitura. Revista Linguagem em Foco, v. 1, n. 3, 2020, p. 260-279.

Artigo 2: SILVA, Daniela Ferreira da; SIQUEIRA, Thalyta Vasconcelos de; GOMES, Luiz Fernando. Pedagogia Transmídia: reflexões sobre uma proposta de leitura literária dentro da cultura de convergência. FERREIRA, Maria Helena; DIAS, Jaciluz; SOUZA, Teciene Cássia de (org.). O trabalho com textos multissemióticos em sala de aula: perspectivas metodológicas. Catu: Bordô-Grená, 2021. 

 

1)      Após leitura individual do artigo 1, identifique no artigo:

 

a)      Momentos, marcas, sinais de que há uma preocupação dos participantes da pesquisa – professor-pesquisador; bolsista/colaborador em formação – em construir um “lugar de fala”, que aponta para posturas e imposturas.

R: A atividade trabalhada no projeto do PIBID no artigo trata de propiciar um reencontro dos alunos com a leitura literária.  Percebendo a falta de hábito dos bolsistas em relação a esse tipo de leitura, os coordenadores-pesquisadores realizaram uma “atividade interventista” (PEREIRA, 2020) na qual propuseram que os bolsistas “compartilhassem sua trajetória com a leitura literária” (PEREIRA, 2020) a fim de que fosse realizado, primeiro, um reencontro dos bolsistas com a literatura, assim, dando-lhes propriedade para realizar a atividade com os alunos, ou seja, construindo “um lugar de fala”.

 

b)      Onde pode ser vista ou entrevista a noção de WINKIN (1998) do “saber estar com!”, que aponta para a postura de não neutralidade do pesquisador no campo.

R: Os bolsistas puseram em prática a noção de “saber estar com!” (WINKIN, 1998) quando, por exemplo, optaram pela introdução à obra “O Cão dos Berkervilles” por meio de sua adaptação em filme, visto que é um meio mais próximo aos alunos. Além disso, quando perceberam a vontade dos alunos em produzir um cordel sobre o livro como a atividade transmídia, trazendo outros exemplos de cordéis para inspirá-los.

 

2)      Após leitura individual do artigo 2, identifique:

 

a)      Em que medida o trabalho pedagógico proposto pode ser relacionado à noção de WINKIN (1998) do “saber ver!”, ou seja, saber rever e repensar suas crenças, valores, conhecimentos cristalizados em função de uma determinada experiência com o “outro”.

R: No artigo, encontramos a noção do “saber ver!” nas práticas dos bolsistas/colaboradores principalmente em relação à escolha da obra literária. Eles não trazem uma ideia cristalizada em relação a isso, como apontam no texto: “a leitura de clássicos universais não escolhidos pelos alunos do 9º ano fugia completamente da nossa perspectiva” (GOMES, 2021). Mesmo tendo que ignorar à ideia institucional – da escola – sobre qual tipo de obra deveria ser abordado, eles preferiram a experiência de escolha da obra com a participação dos alunos, assim, provocando um interesse muito maior por parte deles.

quarta-feira, 3 de março de 2021

Comentários sobre as resenhas em vídeo dos meus colegas de PIBID

    Olá, pessoal! Infelizmente, não tivemos reunião no dia de hoje, devido ao início do semestre remoto na UFAL estar sendo bastante agitado. Mas não devemos ficar parados por causa disso, aliás, nem podemos, visto que temos atividades para serem feita. Uma delas é a tarefa de assistir aos vídeos dos meus colegas de PIBID (do meu subgrupo dentro do grupão, dividido da maneira que informei no post anterior) e os comentar. Segue os comentários abaixo: 


Lavínya Teodósio 



    Lavínya Teodósio opta, como a maioria, por resenhar o livro "A Elegância do Ouriço" de Muriel Barbery, iniciando sua fala com uma breve apresentação da autora. Logo, aborda uma das questões principais do livro: a divisão da sociedade em classes, aproveitando dessa deixa para introduzir as duas personagens principais: Reneé e Paloma. Descreve-as de forma concisa, mas que arremata a essência de ambas, demonstrando que, embora ocupantes de posições sociais distintas, possuem bastante semelhanças, pois vão além das imagens que as estereotipam. Ao falar da chegada de Kakuro Ozu, consegue transmitir para aquele que assiste sua resenha a importância desse personagem na história. Para finalizar com chave de ouro, termina com uma citação inspiradora em diálogo com o livro que é capaz de exprimir um dos principais sentidos que a obra traz: a de nunca desistir das pessoas. Parabéns, Lavínya!



Nathally Aciole


 
      Nathally Aciole escolheu o livro "O Incolor Tsukuru Tazaki e seus Anos de Peregrinação" para resenhar e, seguindo a boa e velha receita, começa sua resenha trazendo um pouco sobre o autor. Ao adentrar o livro pela apresentação de seu protagonista e dos subprotagonistas (?), demonstra que a obra possui um foco maior nos personagens e sua construção do que, por exemplo, "A Elegância do Ouriço", que também traz uma relevância ao contexto social da história aproximada (ou equivalente) à importância das protagonistas. Aciole também corrobora essa percepção, sem precisar necessariamente dizê-la, ao listar os temas abordados pelo livro, sendo todas ligado a questões existenciais humanas e de relação com o outro a nível pessoal. Ela consegue, com ótima qualidade, descrever os acontecimentos importantes que movem a história do livro, mas sempre deixando o mais relevante no ar, para atiçar a curiosidade do autor. Ao final, falando de forma positiva da escrita do autor, a resenhista diz que "quando ele tira uma curiosidade, ele coloca outra", e eu digo que ela conseguiu fazer o mesmo na sua resenha para ganhar o leitor. Parabéns, Nathally!



Jaine Neri 



    Jaine Neri, que também selecionou A Elegância do Ouriço, passa brevemente pela autora no começo do seu vídeo. Após isso, descreve de forma bem completa as duas personagens principais. Sem muita demora, ela apresenta o personagem Kakuro Ozu, alogando-se mais nele e cita alguns dos momentos mais gostosos de ler na história: o convívio entre Kakuro, Paloma e Reneé. Fala da presença de dois personagens-narradores que alternam a narração entre eles, sempre em primeira pessoa, e dos tópicos principais ligados ao social. Neri termina sua resenha com palavras lindas sobre o livro, manifestando a relevância que ele teve na sua vida (como se espera de uma boa leitura) e que pode ter na realidade de um possível leitor, fortalecendo essa sua fala com uma citação última do livro muito bem escolhida. Parabéns, Jaine! 



Letícia Monteiro 


    Letícia Monteiro, que escolheu o livro "O Incolor Tsukuru Tazaki e seus Anos de Peregrinação", começa sua resenha por apresentar o protagonista principal da história, Tsukuru Tazaki, e seus quatro amigos que possuem importância primordial no desenrolar da história. Da mesma forma que a Nathally Aciole, a Monteiro consegue despertar naquele que assiste a sua resenha uma curiosidade imensa para saber esse segredo da história tão bem guardado e circundado por elas, que ganhou, na resenha da Letícia, o adjetivo de "sombrio", aumentando muito mais a vontade de saber o que é. Por fim, gostaria de ressaltar a ótima descrição da história realizada pela resenhista. Parabéns, Letícia! 




Lucas Omena


    Lucas Omena optou pelo livro a Elegância do Ouriço e, a fim de melhor sistematizar sua resenha, divide-a em três capítulos. No primeiro, "Sobre a Autora", ele traz informações a respeito da autora advindas de uma pesquisa que, perceptivelmente, teve bastante dedicação. No segundo, "O Ouriço", ele trata sobre o livro em si, iniciando pela estruturação da sua narrativa, passando por uma profunda descrição das personagens e dos momentos inicias do livro e parando no momento ideal para o que ele se propôs a fazer: antes da chegada de um personagem que mudará a história. No terceiro e último capítulo de seu vídeo-resenha, ele traz suas observações sobre a obra, das quais gostaria de ressaltar a sua fala de perceber a periferia para além do espaço. Acredito que, com bastante qualidade, Omena conseguiu atingir seu objetivo posto no início do vídeo: cativar o futuro leitor para a obra. Parabéns, Lucas! 



Dafhine Alves


    A Elegância do Ouriço mais uma vez foi o livro escolhido, dessa vez por Dafhine Alves. Ela inicia apresentando a autora e a estrutura do livro. Na resenha da Alves, gostaria de chamar atenção para o fato de que ela foi a que mais tocou na personagem Manuela em sua resenha, que era uma das personagens que mais davam prazer de ter em cena. Além disso, a qualidade das citações escolhidas também é de se destacar. E, para finalizar meus comentários sobre a resenha da Dafhine, ressalto que ela foi a única que optou por não guardar o grande spoiler do livro de Muriel Barbery: a morte da personagem Reneé. Essa escolha, muito devido à forma com a qual ela mostra como a leitura desse livro mexeu com ela, não é algo capaz de afastar o leitor da obra, pois ela demonstra muito bem que o escrito como um todo vai muito além de um momento único (embora extremamente marcante). Parabéns, Dafhine! 


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

6ª Reunião - 24/02/2021

Após o recesso já informado nas outras postagens, voltamos ontem, dia 24 de fevereiro, à programação normal (pelo menos no contexto de pandemia) do PIBID: reuniões às quartas-feiras. Nesse encontro de retorno, o foco principal foi a apresentação, concisa devido ao tempo, da atividade “o encontro com o outro”.

No entanto, antes de relatar como se deu as apresentações, gostaria de escrever sobre uma fala da Professora Socorro (uma das professoras-supervisoras do PIBID) que ocorreu um pouco antes do início oficial da reunião e que achei muito importantes.

Ela trouxe a informação de uma cartilha do Ministério da Educação a respeito das práticas que os alunos devem adotar ao retornarem às aulas presenciais. De acordo com as palavras da Professora Socorro, com as quais estou de acordo, essas recomendações são utópicas¹ considerando a realidade da maioria das escolas públicas não só de Maceió, como de todo o Brasil. Algumas dessas recomendações são: os alunos devem lavar frequentemente as mãos, falar entre si com uma distância de 1 metro no mínimo. Dando como exemplo a escola que eu concluí o ensino médio, na qual constantemente havia falta de água, e sabendo que problemas de infraestrutura como esse são, infelizmente, comuns às escolas públicas brasileiras, entendemos a falta de senso de realidade dessa cartilha, que é algo que frequentemente falta em documentos e leis a respeito do ambiente educacional. Como eu disse na reunião, é mais uma obra dos governantes para inglês ver.

Retornando às apresentações, elas ocorreram da seguinte forma: dois integrantes de cada grupo² apresentariam uma ou duas cenas que, para eles, foram as mais marcantes, seja no sentido pessoal, seja no sentido de cumprir bem o que a atividade “o encontro com o outro” pedia. Os representantes do meu grupo foram eu e a minha colega Nathally, ficando acordado que cada um falaria sobre uma cena escolhida livremente.

Fomos os primeiros a apresentar, começando por ela, que falou sobre a cena na qual Orlando tenta se comunicar com os índios, utilizando de mímica para demonstrar qual o significado da palavra “avião”. A Professora Andrea fez um ótimo comentário, dizendo que essa é a primeira troca que ocorre no encontro com o outro: a da comunicação, a linguagem, principalmente quando o outro faz parte de um povo diferente.

 Eu selecionei a cena na qual Cláudio leva a família de caiabis ao posto médico próximo à aldeia de outro povo indígena (pelo o que eu lembro, não é dito o nome desse povo). Há uma confusão, porque os indígenas que já se encontravam lá não querem aceitar os caiabis, mas Cláudio intervém argumentando da seguinte maneira: “vocês não podem brigar entre si. O inimigo é o branco”, sendo ele mesmo branco. Para mim, foi uma das principais cenas para entender o que seria o deslocamento que o pesquisador precisa fazer para obter uma boa investigação etnográfica, visto que Cláudio, ao dizer que o inimigo é o grupo étnico-cultural do qual ele vem, demonstra a imersão quase completa que ele realiza, compreendendo o mundo, o máximo que pode, a partir do olhar do grupo no qual ele se introduz.

Percebam que, no parágrafo anterior, eu tenho o cuidado de não afirmar que Cláudio atingiu uma imersão completa no povo indígena, portanto não é capaz de enxergar o mundo totalmente através de uma ótica indígena. Provavelmente eu não teria essa consciência em relação a isso caso não tivesse ouvido a Wanneska e o Silvino analisarem as cenas que escolheram.

Eles selecionaram um momento no filme no qual há um conflito entre o Cláudio e o líder da família caiabi, que acaba sendo resolvido após Cláudio apontar uma arma para o indígena. Com essa cena, os dois demonstraram que, embora haja, sim, um grande deslocamento da posição do eu para o lugar do outro por parte do Cláudio, esse movimento nunca será total, pois sempre restará resquícios do eu. No caso da cena, Cláudio assume que sabe do que o indígena precisa mais do que ele próprio, utilizando até da força para fazer valer sua opinião. Essa posição é historicamente assumida pelo homem branco em relação ao indígena e, mesmo com a entrega do Cláudio na sua vivência com o outro, esse lugar de superioridade ainda está lá para ser utilizado quando necessário.

Com o fim das apresentações, a Professora Andrea deu continuidade às explicações teóricas sobre a abordagem etnográfica na pesquisa educacional. Inicialmente, ela trouxe as diferenças entre a pesquisa etnográfica tradicional e a pesquisa educacional feita pela linguística aplicada. Estabelecida essa distinção, a Professora Andrea, utilizando de algumas cenas do filme “Xingu” para melhor elucidação, aprofundou-se na abordagem etnográfica, expondo seus princípios e noções.

No final da explanação teórica, ela listou as abordagens que geralmente andam de mãos dadas com a etnografia. Ao citar a Análise Dialógica do Discurso, que é uma área de Linguística baseada na filosofia da linguagem de Mikhail Bakhtin, veio novamente na minha mente, só que com mais força, um conceito que, desde o início dos estudos com etnografia, vagueia na minha mente: o excedente de visão. A primeira vez que ouvi sobre esse conceito foi na 1ª Jornada Bakhtiniana da UFAL, em uma fala da professora Ana Clara, e achei muito interessante. A partir de Bakthin (2006, p. 210, apud Silva e Paula, 2015), temos o seguinte sobre o excedente de visão:

Quando contemplo no todo um homem situado fora e diante de mim, nossos horizontes concretos efetivamente vivenciáveis não coincidem. Porque em qualquer situação ou proximidade que esse outro que contemplo possa estar em relação a mim, sempre verei e saberei algo que ele, da sua posição fora e diante de mim, não pode ver: as partes de seu corpo inacessíveis ao seu próprio olhar – cabeça, o rosto e sua expressão –, o mundo atrás dele, toda uma série de objetos e relações que, em função dessa ou daquela relação de reciprocidade entre nós, são acessíveis a mim e inacessíveis a ele. Quando nos olhamos, dois diferentes mundos se refletem na pupila de nossos olhos. Assumindo a devida posição, é possível reduzir ao mínimo essa diferença de horizontes, mas para eliminá-la inteiramente urge fundir-se em um todo único e tornar-se uma só pessoa.
Esse excedente da minha visão, do meu conhecimento, da minha posse – excedente sempre presente em face de qualquer outro individuo – é condicionado pela singularidade e pela insubstitutibilidade do meu lugar no mundo: porque nesse momento e nesse lugar, em que sou o único a estar situado em dado conjunto de circunstâncias, todos os outros estão fora de mim. (2006, p.210, grifos do autor)

            Relacionando esse conceito bakhtiniano com a etnografia, percebemos que o pesquisador, ao abordar etnograficamente o grupo pesquisado (o outro), ou seja, buscando “compreender a maneira de viver do ponto de vista dos nativos da cultura em estudo” (FINO, 2008), atinge esse excedente de visão, deslocando-se da sua posição de “eu” para ir ao lugar do “outro” e sendo capaz de enxergar o mundo a partir de uma ótica situada fora de si.

            Por fim, a questão da análise do discurso despertou meu interesse desde as primeiras aulas, por causa do da disciplina “Análise do Discurso”, ministrada pelo professor Helson Flávio da Silva Sobrinho. Devido ao meu primeiro contato com essa área ter sido a partir da perspectiva pecheutiana, essa linha me atrai mais no momento. No entanto, conhecendo, mesmo que superficialmente, por quais áreas a Professora Andrea pesquisa, é bem provável que Análise Dialógica do Discurso se sobressaia em relação à baseada nos estudos do Michel Pêcheux. Esperemos para ver! Até a próxima!

 

Nota 1: é importante tentar clarear como a palavra “utópica” foi usada nessa situação, aliás, como eu a signifiquei nesse contexto, visto que não foi dita por mim. No caso em questão, o termo foi utilizado, como geralmente acontece, para negativar algo (a cartilha), adjetivando um sentido de impossibilidade ao extremo ou, no popular, “viajar na maionese”. Entretanto, “utopismo” não carrega apenas esse significado, e, devido a visão de mundo e o sentido político que trago comigo, é necessário explicar aqui um outro sentido seu. Considerando a terminologia dessa palavra, seu sentido está mais para “não lugar”, ou seja, um lugar que (ainda) não existe, do que para “lugar impossível de existir”. Dessa forma, quando se fala sobre uma sociedade justa, sem opressão ou exploração, os céticos, os pessimistas e, principalmente, aqueles que se beneficiam da configuração socioeconômica na qual vivemos já a classificam como utópica, referindo-se ao primeiro sentido que eu trouxe, o negativo. Porém, aqueles que creem na possibilidade de mudança e, sobretudo, agem para isso compreendem de maneira positiva o utopismo contido nessa esperança (do verbo esperançar, como diria Paulo Freire), pois sabem muito bem que esse “não lugar” se tornará “lugar” um dia. Para concluir essa nota de rodapé enorme, o utopismo presente não só na cartilha, como também em diversos outros documentos, leis, instituições que formam esse Estado protetor dos poderosos (como a Justiça, a Constituição e a Democracia), diferencia-se do utopismo existente na ideia dessa sociedade melhor porque não objetiva passar de “não lugar” para “lugar, ou seja, não tem pretensões de um dia sair do mundo das ideias.

Nota 2: Talvez eu já tinha dito, mas nós, pibidianos, fomos divididos em grupos e cada grupo é supervisionado por uma professora-supervisora do ensino básico.      


Referências: 

FINO, C. N. A etnografia enquanto método: um modo de entender as culturas (escolares) locais. In Christine Escallier e Nelson Veríssimo (Org.) Educação e Cultura, 2008, DCE - Universidade da Madeira.

SILVA, Tatiele Novais; Paula, Luciane de. Refrações de Elena: a construção do verbo-voco-visual dos sujeitos. Grupo de Estudos Discursivos, 30 de dez. de 2015. Disponível em: <https://gediscursivos.wordpress.com/2015/12/30/refracoes-de-elena-a-construcao-verbo-voco-visual-dos-sujeitos/>. Acesso em: 26 de fev. de 2021. 




terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

O que eu fiz nesse recesso?

    Nós entramos de recesso no dia 20 de janeiro e ele está chegando ao fim hoje, visto que amanhã teremos o nosso encontro. Já sabe-se que não ficamos plenamente livres, leves e soltos nesse período, pois tivemos duas tarefas para serem realizadas, uma a fim de nos introduzirmos de forma prática ao método de pesquisa etnográfico e outra para darmos continuidade ao nosso clube de leitura, ambas disponibilizadas pelos coordenadores no "Blogão" (apelido dado carinhosamente pelos pibidianos que nos antecederam). 
    
    Mas será que eu não fiz nada além dessas duas atividades oficiais do PIBID? Claro que fiz! Não tanto quanto eu gostaria, mas fiz. 

    De acordo com o plano de leitura que fiz, conseguiria terminar o livro "A Elegância do Ouriço" e fazer o vídeo-resenha sobre ele ainda no mês de janeiro. No entanto, não consegui seguir o cronograma e finalizei a leitura e o vídeo apenas neste mês. Essa mudança de planos me fez refletir se entraria em um livro um pouco mais longo como "O Incolor Tsukuru Tazaki e seus Anos de Peregrinação" ou partiria para leituras menores que também surgiram devido ao PIBID. Acabei optando pela segunda opção. 

    Li o texto "A Literatura em Perigo" do Tzvetan Todorov, que foi muito bem falado pelos coordenadores em um dos encontros iniciais. Já tinha ouvido falar sobre esse escrito e seu autor em algumas aulas de literatura, mas nunca tinha lido nada dele. Todorov afirma que a literatura corre perigo e demonstra isso com diversos argumentos nesse texto, mas gostaria de ressaltar um muito caro para mim enquanto estudante de Letras: a literatura corre perigo, segundo Todorov, pois os estudantes não entram em contato com ela através da obra literária, mas pela crítica, teoria ou história literária, assim, fazendo com que o aluno veja a literatura apenas como uma matéria escolar. 


   Após a leitura do escrito de Todorov, iniciei o livro "Norma Culta Brasileira: Desatando Alguns Nós" do linguista Carlos Alberto Faraco, que foi indicado pela Professora. O livro já inicia tratando sobre o que seria a norma culta e como ela assume diversas posições errôneas e perigosas, como de sinônimo de gramática, norma-padrão ou expressão escrita. Ainda estou no começo, mas já percebo que irei aprender bastante. 

    Como podem ver, esses dois livros são ótimos para minha formação como futuro professor de língua portuguesa, porque fazem uma ótima discussão sobre o ensino da literatura e da língua. 

    Também dei início ao curso do Professor Luiz que ele disponibilizou no Blogão a fim de que saibamos mais sobre o uso da etnografia na educação. O curso se chama "Netnografia em Linguística Aplicada" e está disponível clicando aqui! 

    Por fim, também tive acesso às aulas da Professora Mércia, minha coordenadora supervisora, por meio do seguinte link: https://blogaopibid20.blogspot.com/p/galeria-ee-alfredo-gaspar-de-mendonca.html

É isso! Até a próxima!

Resenha: A Elegância do Ouriço - Muriel Barbery

    Além da tarefa do post anterior, também demos continuidade às atividades do Clube de Leitura do PIBID, no qual lemos uma obra escolhida e fazemos um vídeo-resenha sobre ele. Percebi que, nas duas postagens nas quais eu falei sobre os livros sugeridos, não contei que já tive contato com eles antes do PIBID. Penso que será interessante contar minha brevíssima história com eles antes de ir direto à publicação da resenha em vídeo. 

    Antes da apresentação por parte da Professora Andrea desses dois livros, eu só tinha tido contato uma vez com cada texto, sempre de forma indireta. Em relação ao livro do Murakami, foi a própria Professora Andrea, em uma aula no meu 2º período, que foi a responsável por esse meu primeiro contato, ao dissertar sobre a obra em uma roda de leitura que acontecia no final de todas as aulas dessa disciplina. A maneira apaixonada com a qual ela falou sobre a história, o fato de eu não ter muito contato com a literatura asiática (a não ser através dos mangás) e a capa que é uma belezura intrigante (não que eu esteja julgando um livro pela capa, rs), deram-me muita vontade de lê-lo na época, mas infelizmente não aconteceu (ainda). 
    
     Já o livro da Barbery veio até mim pela primeira vez (e única antes do PIBID) em um post de um grupo de leitura no Facebook. Lembro apenas que o autor da postagem se referiu à história em si, ao desenvolvimento dos personagens, apenas como pano de fundo para o que seria o principal do livro: as ideias filosóficas trazidas pelas protagonistas-narradoras. Concluí a leitura do livro com uma opinião contrária a esse comentário, pois vejo a história do livro com importância e qualidade equivalente à filosofia trazida pelas reflexões das personagens, assim, fazendo com que nenhuma parte do livro deixe a outra em segundo plano. Tentei dizer isso no vídeo-resenha, espero que tenha dado para entender. 

   

    Sem mais delongas, aqui está a minha resenha em vídeo do livro "A Elegância do Ouriço": 

    

Banner com os resultados finais do PIBID

Os dia 19/04, 20/04 e 21/04  foram dedicados à confecção do banner com os resultados finais das atividaes que realizamos no PIBID.